UFPB — Universidade Federal da Paraíba Farol Normativoatualizado em 02/11/2026

N7 · Conselhos superiores · CONSEPE

Res. CONSEPE 37/2018

UFPB-CONSEPE-RES-37-2018
vigente Ver na Teia Ir ao texto integral

Aprova as alterações no Projeto Pedagógico do Curso de Graduação em Dança, Licenciatura, do Centro de Comunicação, Turismo e Artes, Campus I, desta Universidade.

Quem a altera, revoga, supera ou cita (0)

nenhuma registrada no acervo

Em que ela se funda, o que regulamenta, altera, revoga ou cita (13)

  • FUNDAMENTA-SE EM
    Lei 9.394/1996 nesta norma: preâmbulo → na outra: norma inteira“a Lei 9.394/96 - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional que orientam a elaboração curricular;” fonte: texto · confiança alta
  • FUNDAMENTA-SE EM
    Res. CONSEPE 16/2015 nesta norma: preâmbulo → na outra: norma inteira“a Resolução CONSEPE/UFPB 16/2015 – que aprova o Regulamento dos Cursos de Graduação da UFPB.” fonte: texto · confiança alta
11 citação(ões) simples (REMETE A)
  • cita
    Res. CNE/CES 3/2004 em: Anexo I“O Curso de Licenciatura em Dança é fundamentado na formação teórica e na prática artística em dança, com ofertas dos componentes pedagógicos e metodológicos que formarão o Professor de acordo com...”
  • cita
    Res. CNE/CP 2/2002 em: Anexo I“A Licenciatura estará alicerçada na formação artística em dança, regulamentada pela resolução CNE n.3, de março de 08 de março de 2004 somado ao estudo dos fundamentos sóciopolítico-pedagógicos...”
  • cita
    Lei 11.788/2008 em: Anexo I“Esta decisão está em conformidade com a lei nº 11.788/2008, Art. 2 º, § 3 º: “As atividades de extensão, de monitorias e de iniciação científica na educação superior, desenvolvidas pelo estudante,...”
  • cita
    Lei 9.394/1996 em: Anexo I“MARCO TEÓRICO A Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional fornece um perfil exigente e complexo para a Educação Superior que aponta para a busca, não somente de uma formação acadêmica...”
  • cita
    Res. CONSEPE 03/2013 em: Anexo I“O mesmo deverá ser elaborado em dois semestres, nas atividades de orientação individual Trabalho de Conclusão de Curso I (VII período) e Trabalho de Conclusão de Curso II (VIII período) de acordo...”
  • cita
    Res. CONSEPE 04/2004 em: Anexo I“A Licenciatura estará alicerçada na formação artística em dança, regulamentada pela resolução CNE n.3, de março de 08 de março de 2004 somado ao estudo dos fundamentos sóciopolítico-pedagógicos...”
  • cita
    Res. CONSEPE 07/2010 em: Anexo I“Procedimentos operacionais O Curso de Licenciatura em Dança é fundamentado na formação teórica e na prática artística em dança, com ofertas dos componentes pedagógicos e metodológicos que formarão...”
  • cita
    Res. CONSEPE 12/2004 em: Anexo I“O Departamento de Artes Cênicas (DECEN) foi criado em 2004, a partir do desmembramento do Departamento de Artes, aprovado pelo CONSUNI através da resolução 12/2004.”
  • cita
    Res. CONSEPE 16/2015 em: Anexo I“Conforme resolução CONSEE 16/2015 (p. 30), os módulos tem caracterização análoga a de disciplina, “com as seguintes ressalvas: I – pode ter carga horária que não seja um múltiplo de 15 horas;”
  • cita
    Res. CONSEPE 16/2015 em: Anexo I“Procedimentos operacionais O Curso de Licenciatura em Dança é fundamentado na formação teórica e na prática artística em dança, com ofertas dos componentes pedagógicos e metodológicos que formarão...”
  • cita
    Res. DANCA 2/2014 em: Anexo I“O estágio supervisionado é um componente curricular obrigatório indispensável à consolidação dos desempenhos profissionais desejados, inerentes ao perfil do formando, conforme resolução 02/2014 do...”

Por dispositivo desta norma

Normas irmãs e paralelas · sugestão

Irmãs são citadas pelas mesmas normas que citam esta; paralelas citam as mesmas bases que esta sem se citarem. Não é relação normativa.

Texto integral

camada de texto do PDF oficial (pdftotext) · original (texto publicado no SIGRH; alterações posteriores não incorporadas)

Transcrição para consulta; não substitui a publicação oficial. 15 citação(ões) ligada(s) à norma citada; 9 artigo(s) com âncora.

SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CONSELHO SUPERIOR DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO

RESOLUÇÃO Nº 37/2018 Aprova as alterações no Projeto Pedagógico do Curso de Graduação em Dança, Licenciatura, do Centro de Comunicação, Turismo e Artes, Campus I, desta Universidade.

O Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão, da Universidade Federal da Paraíba, no uso de suas atribuições e tendo em vista o que deliberou em reunião realizada em 27 de agosto de 2018 (Processo nº 23074.032011/2018-28) CONSIDERANDO: os critérios e os padrões de qualidade estabelecidos pela UFPB para formação de profissionais; a importância de um Projeto Pedagógico dinâmico e atual que estará em constante processo de avaliação; a Lei 9.394/96 - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional que orientam a elaboração curricular; a Resolução CONSEPE/UFPB 16/2015 – que aprova o Regulamento dos Cursos de Graduação da UFPB. R E S O L V E:

Art. 1o Aprovar o Projeto Pedagógico do Curso de Graduação em Dança, Licenciatura, do Centro de Comunicação, Turismo e Artes, Campus I, desta Universidade.

§ 1o Compreende-se o Projeto Pedagógico do Curso como sendo o conjunto de ações sóciopolíticas e técnico-pedagógicas relativas à formação profissional que se destina a orientar a concretização curricular do referido Curso.

§ 2o As definições relativas aos objetivos do Curso, perfil profissional, competências, atitudes e habilidades, e campo de atuação dos formandos encontram-se relacionadas no Anexo I.

Art. 2o O Curso de Graduação em Dança, tem como finalidade conferir o grau de Licenciatura aos alunos que cumprirem as determinações constantes da presente Resolução.

Art. 3o O Curso de Licenciatura em Dança, com 3210 (três mil duzentos e dez horas/aula 214, equivalentes a 214(duzentos e quatorze) créditos, tem a duração mínima de 8 (oito) e máximo 12 (doze) períodos letivos.

§ 1o Será permitida a matrícula em no máximo 26 (vinte e seis) e no mínimo 17 (dezessete), créditos por período letivo.

Art. 4o A composição curricular, integrante do Projeto Pedagógico, resulta de conteúdos fixados de acordo com as especificações abaixo, são desdobrados conforme especificado no Anexo II. Curso de Graduação em Dança Modalidade: Licenciatura Estrutura curricular

1. Conteúdos básicos profissionais 1.1. Conteúdos Básicos 1.2. Conteúdos Profissionais 1.3. Conteúdos de Formação Pedagógica 1.4. Estágio supervisionado

2. Conteúdos complementares de aprofundamento 2.1. Conteúdos complementares obrigatórios 2.2. Conteúdos complementares optativos

3. Conteúdos complementares flexíveis TOTAL GERAL

% 64%

CR

CH

137 32 54 24 27

2055 480 810 360 405

77

1155

36%

36 16 25 214

540 240 375 3210

12% 100%

Art. 5o As modalidades de componentes curriculares serão as seguintes:

I – disciplinas teóricas e práticas e módulos

II – atividades complementares;

a) atividades de iniciação à pesquisa e/ou extensão;

b) seminários;

c) atividades de monitoria;

d) participação em projetos de iniciação cientifica e extensão;

f) participação em eventos;

g) oficinas e congêneres;

h) atividades complementares.

§ 1o – As disciplinas práticas de Estágio Supervisionado estão incluídas nos Conteúdos Básicos Profissionais, e terão duração de 405 (quatrocentas e cinco) horas, equivalentes a 27 (vinte e sete) créditos.

§ 2o - Nos Conteúdos Complementares Obrigatórios serão incluídas as disciplinas Metodologia do Trabalho Científico e Pesquisa Aplicada às Artes Cênicas, que constituirão a base para o desenvolvimento do Trabalho de Conclusão do Curso (TCC).

§ 3o - As modalidades de conteúdos curriculares referente as disciplinas de Estágio Supervisionado e Trabalho de Conclusão de Curso; e os conteúdos complementares flexíveis serão regulamentados pelo Colegiado do Curso para fins de integralização curricular.

Art. 6o O Curso adotará o regime acadêmico de créditos.

Parágrafo único - A estruturação curricular, resultante da lógica de organização do conhecimento, em semestres letivos, será feita conforme especificado no Anexo III.

Art. 7o O Projeto Político de que trata a presente Resolução será acompanhado e avaliado por comissão específica, em consonância com as normas da Universidade. 2

Art. 8o Serão vedadas alterações, num prazo inferior a 08 (oito) períodos letivos, ressalvados os casos de adaptação às normas emanadas pelo CNE e pelo CONSEPE, considerando também as emergências sócio-político-educativas.

Art. 9o Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão da Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, 03 de setembro de 2018.

MARGARETH DE FÁTIMA MELO FORMIGA DINIZ Presidente

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ANEXO I à Resolução nº 37/2018 do CONSEPE, que aprova o Projeto Pedagógico do Curso de Dança, modalidade Licenciatura, do Centro de Comunicação, Turismo e Artes/CCTA, do Campus I da UFPB. HISTÓRICO DO CURSO: ARTES CÊNICAS NA UFPB A reestruturação da Universidade Federal da Paraíba em 1974 criou o Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, possibilitando a formação de um núcleo de conhecimento e reflexão sobre as artes. Com o reitorado do Professor Linaldo Cavalcanti, tomava impulso as Artes Cênicas com a criação da Divisão de Teatro Universitário – DTU, tendo à frente o Professor Fernando Teixeira com o Projeto “Vamos Comer Teatro”. No ano de 1977 foi implantada a Licenciatura em Educação Artística, congregando profissionais oriundos de várias universidades, dotando a Paraíba de professores com destaque nacional, a exemplo de Antônio Fausto Neto, Laís Aderne, José Luís Braga, Luís Custódio da Silva, entre outros. A UFPB torna-se, então, um centro de valorização das Artes, permitindo novos rumos no campo do conhecimento artístico que na época tinha pouca repercussão nas universidades nordestinas. Até 2007, o Curso de Educação Artística com a habilitação em Artes Cênicas contribuía para a formação de professores e artistas em nível universitário. Como prova disto, pode-se afirmar que atualmente poucos eventos em artes cênicas na cidade não contam com a participação de alunos egressos desse curso. Dos cerca de 866 (oitocentos e sessenta e seis) alunos que ingressaram no Curso de Educação Artística, desde a sua fundação, cerca de 300 (trezentos) graduaram-se na habilitação de Artes Cênicas. Em 1984, o curso de Pós-graduação Lato Sensu Especialização em Arte-Educação, foi promovido pelo Departamento de Artes da UFPB, abrangendo as três áreas específicas de Plásticas, Músicas e Artes Cênicas, aglutinando alunos de todo Nordeste, com professores de destaque no meio artístico e acadêmico nacional, como Noêmia Varela, Ana Mae Barbosa, Silvana Garcia, Ingrid Dormien Koudela, Antônio Fausto Neto, Cecília Conde, dentre outros. Neste mesmo ano, é criada a Associação Nordestina de Arte-Educadores (ANARTE) e, com ela, uma série de cursos e palestras voltados para reciclagem e aprimoramento dos professores e trabalhadores em arte em todos os estados da associação. No caso da Paraíba, os cursos se estenderam às cidades de Pocinhos, Bananeiras e Guarabira, com trabalhos específicos nas áreas de música, artes plásticas e teatro (jogos dramáticos, construção de textos, máscaras e teatro de bonecos). Em 1988, o Departamento de Artes e Comunicação é desmembrado, permitindo então uma maior autonomia e gerenciamento para os dois departamentos. Dando continuidade ao compromisso de produção e formação artística, os professores do Departamento de Artes trabalharam no sentido de implantar um programa de ensino-pesquisa-extensão através de montagens teatrais que consolidassem o ensino do Teatro e da Dança na Paraíba. Também em consonância com o objetivo geral da melhoria da formação profissional da área, criou-se no início dos anos 1990 o Laboratório de Artes Cênicas (LAC) onde se desenvolvia a preparação de dançarinos e atores através de pesquisas e montagens. As atividades envolviam professores e alunos em discussões amplas sobre métodos e processos criativos, análises dos resultados obtidos e apreciações críticas do produto realizado. Em 1996 foi implantado o novo Curso de Pós-Graduação Lato Sensu denominado Fundamentos Metodológicos da Apreciação e Crítica no Ensino das Artes – Plástica, Música e Cênicas seguido do II Curso iniciado em Abril de 1999. Um pouco antes, em março de 1999, a implantação do Mestrado em Teatro, em convênio com a Universidade Federal da Bahia, permitiu que 04 professores e 01 técnico da UFPB recebessem o título de Mestre. Em agosto de 1999 foi aprovado pelo CNPq Projeto de Pesquisa Integrada, sob a coordenação do Prof. Dr. Paulo Vieira: Arte e Transfiguração da Realidade: Teatro, Dança e Folguedos Populares na Paraíba (1970 – 2000), projeto este que recebeu duas bolsas de Iniciação à Pesquisa/CNPq. Devido à sua abrangência, o projeto foi desenvolvido através de subprojetos em: A Dramaturgia na Paraíba, a cargo do prof. Paulo Vieira. A Dança Teatral na Paraíba, a cargo do 4

prof. Guilherme Schulze, e Folguedos Populares, a cargo da profª Elvira D’Amorim que contou com 09 bolsistas trabalhando em projetos vinculados. São eles: Projeto Monitoria-PRG“Preparação de materiais Didático-pedagógicos para o Ensino do Folclore” (04 bolsas); Projeto Prolicen-PRG e Probex-PRAC “Capacitação de Animadores Culturais na Organização de Eventos Folclóricos” (02 bolsas Prolicen-02 bolsas Probex); Pibic/CNPq/UFPb “Tradições Européias, Ameríndias e Africanas nos Grupos de Danças Populares na Paraíba” (01 bolsa). Em dança, o prof. Guilherme Schulze teve o apoio de uma bolsista PIBIC/CNPq/UFPb. Esses projetos permitiram:

I. Dotar o Curso de Educação Artística de um Banco Multimídia na área de Teatro, Dança e Folguedos Populares, além de Música, com material colocado à disposição no Projeto Arte na Escola.

II. Preparar material didático-pedagógico nas áreas de Teatro, Artes Plásticas e Música com a elaboração de textos, realização de vídeos, reproduções de partituras musicais e de canto coral, também à disposição da comunidade através do Projeto Arte na Escola.

III. Iniciar um grupo de alunos na pesquisa científica, preparação de textos, análises e relatórios na área da Cultura Popular, Teatro e Dança.

IV. Oferecer, com o material pesquisado, um Curso de Capacitação de Animadores na Organização de Eventos Folclóricos às escolas de 1º e 2º graus da rede pública e privada de ensino.

V. Organizar o material produzido em um livro denominado Do Lundu ao Samba, pelos caminhos do Côco, editado com o apoio do PROCULT, pela Gráfica Arpoador e Idéia – 2003, de autoria da Profª. Elvira D’Amorim.

VI. Propiciar a sistemática de Leituras Dramáticas, com um maior envolvimento dos alunos, professores e da comunidade em geral com textos de várias épocas e estilos, servindo também ao estudo da evolução do teatro brasileiro e universal e propiciando a prática da interpretação, contra-regragem, iluminação e produção, pelo convite a encenadores consagrados e a alunos em finalização de curso como responsáveis pelas direções das montagens.

VII. Criar o Grupo de Dança do Departamento de Artes – ContemDança, centrado na pesquisa do movimento, estilos e influências culturais.

VIII. Oferecer, ao nível de Extensão, um Curso Regular de Iniciação Teatral. Em 2004, iniciou-se o I Curso de Especialização em Representação Teatral, coordenado pelos professores Elvira Maria Aguiar D’Amorim e Paulo Roberto Vieira de Melo, qualificando 21 alunos egressos do Curso de Educação Artística e professores e atores graduados em outras áreas, mas com experiência comprovada em teatro. A repercussão do referido curso mostrou-se nas várias participações em festivais a nível local, regional e nacional, com premiações e reconhecimento da crítica. Em 2006, devido à grande repercussão positiva com os resultados obtidos e a grande procura da área teatral, o projeto foi reapresentado e aprovado contando com a participação de professores renomados e reconhecidos tanto no âmbito acadêmico quanto artístico. O II Curso também qualificou 21 alunos que em sua maioria posteriormente foram aprovados em concursos profissionais e acadêmicos. O Departamento de Artes Cênicas (DECEN) foi criado em 2004, a partir do desmembramento do Departamento de Artes, aprovado pelo CONSUNI através da resolução 12/2004. Um dos objetivos primeiros do recém-formado Departamento foi o de completar o Projeto Político Pedagógico (PPP) do novo curso de Teatro que veio a substituir a habilitação em Artes Cênicas da Licenciatura em Educação Artística. Dessa forma, após aprovação do Projeto Político Pedagógico em todas as instâncias universitárias, no vestibular de 2007, foi implementado o Curso de Teatro incluindo Bacharelado, com habilitação em Interpretação e Licenciatura. No ano de 2010 formouse a primeira turma desta graduação, que no ano de 2009, apresentou à sociedade paraibana a encenação do espetáculo “O Rinoceronte” de Eugène Ionesco, demonstrando tanto as habilidades adquiridas pelos formandos quanto as qualidades do Projeto Político Pedagógico do curso. A 5

conclusão da primeira turma de egressos deu início ao processo de avaliação de Projeto Político Pedagógico e de sua aplicação, bem como à implementação da Comissão de Elaboração do Projeto para a criação de Graduação em Dança, dando continuidade à consolidação da formação universitária para o ensino das artes. DANÇA NA UFPB A UFPB e, especificamente o Campus I, possui uma tradição de estímulo à dança que remonta aos anos 1980. Três setores da UFPB tomaram a frente. No Departamento de Educação Física (CCSA), inicialmente através da atuação da professora Iguatemy Lucena e, atualmente pela liderança do prof. Marcelo Bulhões; na Pró-Reitoria de Ação Comunitária (PRAC) as atividades do Grupo Folclórico da UFPB coordenado por Dalvanira Gadelha e, posteriormente substituído pelo Balé Popular da UFPB liderado pelo coreógrafo Maurício Germano; e finalmente nas atividades de dança do Departamento de Artes Cênicas (antigo Departamento de Artes) focalizadas no Grupo de Artes Corporais ContemDança de 1999 a 2006 e atualmente no Grupo de Videodança ContemDança 2, ambos coordenados pelo professor Guilherme Schulze. A profa. Iguatemy Lucena idealizou e realizou em 1982 a primeira de diversas Mostras de Dança promovidas pela UFPB com o propósito de motivar as crianças e criar um público para a dança. Além disso, pretendia abrir um espaço não elitizado para grupos que se dedicavam a estilos variados que iam das danças populares ao balé clássico passando pelo jazz, dança moderna e contemporânea. Tinha um caráter não competitivo e inicialmente não contava com recursos exceto bolsas de Monitoria e Prolicen. Algumas de suas versões contaram com um pequeno apoio do antigo INACEN (Instituto Nacional de Artes Cênicas) e, em seguida, da Prefeitura Municipal de João Pessoa. Além de inúmeros Grupos e Cias. De Dança da cidade, essas mostras chegaram a receber grupos importantes de Recife e Campina Grande incluindo também a Cia Dora Andrade de Fortaleza. No ano de 1983, a profa. Iguatemi Lucena criou o Grupo de Dança Contemporânea da UFPB no Departamento de Educação Física da UFPB que tinha como objetivo divulgar a dança como atividade artístico-educacional entre os alunos do Curso de Educação Física. Suas principais coreografias foram Villa-Vida-Lobos, Xincuam, União, Sem Máscaras, e Carlito Vida e Arte. Mais tarde, em parceria com a Prefeitura de João Pessoa, o Departamento de Educação Física promoveu cursos Lato Sensu de Especialização voltados para o ensino da dança. Esses cursos eram direcionados aos professores da área de educação física do município que ministravam aulas de dança. No final de 2006, o Imburana, grupo de danças e estudos da cultura popular brasileira, foi criado sob a coordenação do Prof. Dr. Marcello Bulhões. O grupo se constitui como projeto permanente de extensão universitária vinculado ao LEPEC-DEF-UFPB e tem como objetivos aproximar e divulgar a cultura popular, especialmente a nordestina, em diferentes meios sociais. O Balé popular da UFPB foi criado em 1995, substituindo o antigo Grupo Folclórico da UFPB, integrado ao Núcleo de Pesquisa e Documentação da Cultura Popular (NUPPO). O Balé Popular da UFPB pretende investigar as diversas expressões da dança, no contexto da identidade cultural nordestina, e socializa-las, por meio de suas montagens. Realiza trabalhos de fusão da dança contemporânea com a popular e seus principais espetáculos são: O Auto de Nossa senhora da Luz, Varal, A Cura, Pau-de-Arara, Jatobá, Festejos e Caiçara. As montagens do Balé Popular foram apresentadas nos mais variados eventos, entre os quais, Mostras e Festivais de Dança, Encontros de Cultura e Danças Populares, Feiras e Editais Culturais e outras manifestações artísticas. A dança contemporânea no Departamento de Artes Cênicas da UFPB Durante o ano de 1992 foi realizada na Sala Verde do antigo Departamento de Artes, o curso de extensão Oficina de Dança Contemporânea ministrada pelo professor Guilherme Schulze. Os objetivos eram: buscar novas formas de expressão através da dança; estimular o interesse por essa linguagem; e abrir canais de discussão dentro e fora da Universidade sobre temas relacionados com a 6

dança e seu papel na sociedade. Ao final do Curso que durou dois semestres, foi montado um espetáculo coreografado por uma das alunas da própria Oficina sob a orientação do ministrante. Essa experiência representou um passo importante para a criação do Grupo de Dança Criativa do Departamento de Artes (ContemDança), em 1999. Seu objetivo era oferecer à comunidade a oportunidade de vivenciar diversos aspectos do processo artístico da dança: do treinamento corporal à performance. Além disso, o projeto se propunha a conscientizar o participante para a importância do corpo enquanto elemento fundamental para o desfrute da cidadania através da pesquisa individual e coletiva sobre ritmo, técnica e estética em dança. O ContemDança foi extinto em 2006 com a abertura do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre o Corpo Cênico (NEPCênico – CNPq/UFPB). Esse fato coincidiu com a divisão do Departamento de Artes em linguagens específicas e a consequente criação do Departamento de Artes Cênicas. Com um perfil focalizado na pesquisa acadêmica, entre 2006 e 2008 foi realizado o projeto Arte e transfiguração de realidade:inclusão digital através das artes cênicassob coordenação do prof. Guilherme Schulze. A pesquisa recebeu financiamento do CNPQ através do edital Universal 2006.2 e contou com a contribuição de professores e alunos pesquisadores PIVIC através da Pro Reitoria de Pós Graduação da UFPB. Essa investigação abordou o uso de ferramentas (artefatos cognitivos) nos processos criativos e pedagógicos relativos à dança em grupos e escolas através de estudos de caso. Foram observadas tanto produções em andamento e recentemente realizadas como também o trabalho de professores desenvolvidos em escolas públicas. O ponto de vista teórico abordado foi o da coreografia distribuída, conceito desenvolvido por Guilherme Schulze em sua tese doutoral Distributed choreography: a framework to support the design of computer-based artefacts for choreographers with special reference to Brazil (2005). Com essa abordagem um conjunto de programas capazes de colaborar com processos criativos e pedagógicos em dança foi colhido através da Internet. Essa pesquisa estimulou a participação em diversos encontros e congressos, oficinas práticas e demonstrações além da produção de artigos acadêmicos. Durante as demonstrações e oficinas, percebeu-se um grande interesse pelas possibilidades de aplicação do vídeo que, naquele momento, era utilizado para a projeção em tempo real de seqüências coreográficas capturadas através de uma webcam. Em 2009 deu-se início ao projeto Videodança de bolso e Laban: interfaces técnicas e criativasque contou com a participação da profa. Ana Valéria Vicente. Este projetoaprofundou diversos aspectos da pesquisa anterior (2006-2008), avançando de um foco apenas nos processos criativos e educacionais com a utilização de software, para uma investigação que envolveu a discussão técnica e estética a partir de processos de criação de videodança. Algumas videodanças produzidas receberam prêmios como'melhor enquadramento cinematográfico' e 'melhor trilha sonora de vídeos paraibanos' no Festival Aruanda de 2009 para Ellia Off das alunas pesquisadoras Cecília Retamoza, Suellen Brito e Mariah Benaglia, além de vencedor do Edital Dança em Foco para vídeos de um minuto realizados em celular para Vôo em volta de Sávio Farias, aluno PIVIC. Com o acúmulo de conhecimentos adquiridos na pesquisa foi criado o projeto Contem Dança 2.0 também coordenado pelo Prof Dr. Guilherme Schulze, com o objetivo de produzir videodanças. A linha de pesquisa Dança: História, discursos e práticas surgiu em 2010 com a criação de um grupo de estudos sobre a História da Dança de João Pessoa – PB. O objetivo é contribuir para uma historiografia dessa linguagem artística, refletindo sobre o seu diálogo e sua articulação com a sociedade e com outras práticas artísticas, principalmente o teatro. Entretanto, verificou-se uma carência de publicações e estudos que permitissem o desenvolvimento da pesquisa. Observou-se ainda, a ausência de um arquivo com imagens dos espetáculos ou entrevistas com os criadores locais, assim como a intermitência do registro das atividades de Dança por parte da imprensa local, a qual cobre apenas os grandes acontecimentos, em geral com pouca informação sobre o teor das apresentações. Inicia-se a partir destas constatações, o desejo de constituição de um acervo documental sobre a Dança na Paraíba, seguindo o modelo da experiência do Acervo Recordança, realizado em Recife, pela Associação Reviva e Fundação Joaquim Nabuco, o qual desenvolveu uma metodologia de 7

pesquisa e organização de documentos da área da Dança, que aplica desde 2003, localizando e disponibilizando estes documentos para a pesquisa histórica na área. Tendo o Acervo Recordança como parceiro institucional, a partir de 1º de abril, teve início o projeto de extensão Memória do Movimento – Escola Fazendo Arte aprovado pelo edital Probex, que contribuiu para a discussão sobre a importância da documentação na área da dança para a sociedade, além de convocar os artistas para que compreendessem o fazer histórico e os processos de organização dos acervos pessoais para que pudessem corroborar para a construção da História. A partir deste projeto, implementou-se o Acervo Digital de História da Dança da Paraíba do Nep Cênico e deu surgimento ao projeto Vozes da Dança, desenvolvido por Rafaela Lira e Bia Cagliani com incentivo do Fundo Municipal de Cultura de João Pessoa. A implementação do Curso de Licenciatura em Dança Aprovado pelo CONSEPE 62-2012, o Curso de Licenciatura em Dança inicia suas atividades em outubro de 2013 buscando proporcionar a formação profissional do professor de Dança através das práticas e dos conteúdos específicos dessa linguagem artística, tornando-o apto participar ativa e criativamente, com competência e ética, de processos artísticos e educacionais. Todos os anos os (as) licenciados (as) em Dança são recebidos com aulas inaugurais que trazem temas e assuntos pertinentes no campo de conhecimento e formação nesta área. Em 2013, a primeira aula Inaugural contou com a participação do artista pernambucano Antônio Nóbrega, que discorreu temas pertinentes às culturas populares proferindo uma aula-espetáculo no Auditório Radegundes Feitosa nas dependências do CCTA – UFPB. Nos anos seguintes houve a participação de artistas locais e regionais, bem como, professores convidados que discorreram sobre os assuntos de políticas públicas para a dança no Brasil, processos compositivos em dança, relação entre dança e processos educacionais, dentre outros. Atualmente o corpo docente do Curso é formado pelos professores: Dr. Guilherme Barbosa Schulze, Ms. Ana Valéria Ramos Vicente (afastada para doutoramento entre 2014 – 2018), Dr. Arthur Marques de Almeida Neto (afastado para doutoramento entre 2014 – 2017), Dr. Victor Hugo Neves de Oliveira (afastado para término de doutoramento em 2015), Dra. Carolina Dias Laranjeira, Dra. Líria de Araújo Morais, Profa. Ms. Michelle Aparecida Gabrielli (afastada para doutoramento entre 2017-2021), Ms. Sérgio José de Oliveira, Ms. Juliana Costa Ribeiro, Ms. Candice Didonet e Ms. Bárbara Conceição Santos da Silva. Todos os professores tem atuação nos demais Cursos de Bacharelado e Licenciatura em Teatro, bem como, em funções administrativas e coordenações do Departamento de Artes Cênicas da UFPB, projetos de extensão (edital PROBEX), cursos de extensão (edital FLUEX), projetos de licenciaturas (PROLICEN), programa institucional de bolsas à iniciação científica (PIBID), grupos de pesquisa, projetos de pesquisa, grupos de estudo, orientações acadêmicas de trabalhos de conclusão de curso e projetos de iniciação científica. Para conhecer detalhadamente sobre os inúmeros trabalhos desenvolvidos pelo corpo docente acessar a página do Curso da Universidade Federal da Paraíba. A coordenação da Licenciatura em Dança é alterada a cada dois anos. Entre 2013 e 2015 o Curso teve a coordenação das Profas. Ana Valéria Ramos Vicente (coordenadora) e Michelle Aparecida Gabrielli (vice-coordenadora), entre 2015 e 2017 das Profas. Michelle Aparecida Gabrielli (coordenadora) e Bárbara Conceição Santos da Silva (vice-coordenadora) e entre 2017 e 2019 das Profas. Juliana Costa Ribeiro (coordenadora) e Candice Didonet (vice-coordenadora). Em 2016, o Curso de Licenciatura em Dança sediou nas dependências do Centro de Comunicação, Turismo e Artes da UFPB, a oitava edição do Fórum de Coordenadores em Dança do Brasil, criado com o intuito de promover o diálogo entre os/as coordenadores/as dos cursos de Licenciatura e Bacharelado em Dança do Brasil. Com o tema “Pensar a Dança na atual conjuntura: perspectivas, expectativas e desafios para o ensino superior” o evento reuniu Coordenadores dos Cursos Superiores de Dança de todo o Brasil com o intuito de promover o diálogo entre os/as coordenadores/as dos cursos de Licenciatura e Bacharelado em Dança do Brasil. Nesta VIII edição do Fórum de Coordenadores dos Cursos Superiores de Dança, sediado na UFPB, foi conversado 8

sobre a necessidade de se ter um registro de fácil acesso aos coordenadores, professores e demais interessados aos assuntos tratados em cada reunião. A ideia foi criar um histórico e um arquivo com os documentos produzidos por esta organização que pode ser acessado na página do blog do Fórum Desde 2013, ano de implementação do Curso de Licenciatura em Dança da UFPB, o corpo docente está envolvido na organização, programação e produção da Jornada de Pesquisa em Artes Cênicas do Departamento de Artes Cênicas da UFPB, que completou sua oitava edição em 2017. Este evento tem congregado diversos estudantes, pesquisadores, professores e artistas vindos de diversas partes do Brasil. Inicialmente promovido em âmbito regional, a Jornada de Pesquisa aponta para um maior alcance no campo de estudos e conhecimento da Dança e das Artes Cênicas, tendo recebido cerca de duzentas inscrições nos últimos anos. Para conhecer este evento e acessar resumos e anais das edições, acessar a página virtual disponível na internet. Em 2015, a UFPB estabelece parceria com o Programa PROF-ARTES e o Departamento de Artes Cênicas passa a oferecer Mestrado Profissional em Artes. Os Professores Doutores do corpo docente do Curso de Licenciatura em Dança que passam a integrar este programa são: Guilherme Schulze, Carolina Dias Laranjeira e Líria de Araújo Morais. Coordenado pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) o PROF-ARTES tem por objetivo proporcionar formação continuada a docentes de Artes da Educação Básica pública, propondo discussões sobre o papel do ensino da arte na escola e na comunidade. O curso tem uma estrutura semi-presencial com a oferta de duas disciplinas de fundamentação à distância, quatro disciplinas obrigatórias (incluindo a realização de trabalho de conclusão orientado de forma presencial) e duas optativas. Para participar do PROF-ARTES os candidatos deverão ser docentes da Educação Básica pública (Ensino Fundamental e Ensino Médio), portadores de diploma de nível superior reconhecidos pelo MEC, e devem estar ministrando aulas de artes (Artes Cênicas, Artes Visuais, Dança e Música) em Instituições Escolares e/ou Culturais Públicas. Os candidatos deverão manter sua atividade na escola durante o Mestrado Profissional. JUSTIFICATIVA A reivindicação pela criação de graduações em Dança integra um conjunto de ações nacionais dos artistas da dança que visam gerar maior conhecimento da importância e necessidades do setor, regulamentação da profissão e melhoria do acesso à formação especializada para dançarinos e docentes. Desta forma, representantes de todas as regiões do Brasil, reunidos na Câmara Setorial de Dança, conselho consultivo da FUNARTE, aprovaram 14 moções que definem as prioridades para o setor da dança, entre as quais destaca-se a necessidade de ampliação do acesso à formação especializada e criação de cursos de graduação de dança em universidades públicas. Esse documento foi entregue ao Ministério da Cultura, ao Ministério da Educação e integrou a pauta de reuniões no Senado Federal e na Câmara dos Deputados, em Brasília, durante a Conferência Nacional de Cultura, em 2005. A criação da graduação em dança na UFPB encontrou um momento propício para sua construção e implementação, visto que houve uma mobilização por parte do governo federal para a renovação dos cursos e suas estruturas curriculares que prevê a criação de novas modalidades de graduação. Tornou-se urgente a implantação de uma Licenciatura que pudesse nortear as atividades docentes exercidas durante décadas na informalidade; legitimando a dança que é produzida no Estado e oferecendo suporte pedagógico a esta prática difundida e aplicada em larga escala em todas as regiões do Estado. Com a ausência de cursos regulares em nível técnico-profissionalizante ou universitário na Paraíba, a formação dos artistas da dança vinha sendo viabilizada exclusivamente através do ensino não-formal, papel desempenhado pelas escolas de dança, academias, cursos livres e, principalmente, pelos grupos e companhias de dança. Paralelo a essa informalidade, o ensino da dança vinha se proliferando cada vez mais nas escolas particulares e públicas da rede oficial de educação, em resposta à demandas da sociedade. Em 9

2013 foi aberto um concurso para professor de Arte com habilidade em Dança (20 vagas) e apenas pessoas que fizeram sua graduação em licenciaturas em dança oferecidas fora do Estado puderam concorrer. Cada vez mais é exigido a regulamentação da função de professor de dança nestas instituições, além de profissionais adequadamente preparados para exercer tal função. A criação de um curso superior em Dança no Estado vem efetuando uma significativa mudança no cenário atual, vindo a repensar e propor novas soluções para a estrutura informal de criação e ensino da dança que vinha vigorando até então. Além de formar e capacitar adequadamente os professores de dança, a inclusão da dança na universidade vem ampliando a possibilidade de produção de conhecimento acadêmico sobre suas práticas e funções, uma área que carece de estudos, sistematizações, e investimento na construção de novas formas de ensino-aprendizagem, de conceituação e desenvolvimento teórico e crítico que potencializem, legitimem e critiquem essas práticas, impulsionando a tomada de consciência sobre as implicações físicas e psicológicas do ensino da dança.

MARCO TEÓRICO A Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional fornece um perfil exigente e complexo para a Educação Superior que aponta para a busca, não somente de uma formação acadêmica digna, mas, principalmente, de uma formação que capacite para os diversos aspectos necessários para o(a) futuro(a) professor(a) exercerem suas atividades. Nesse sentido, a percepção das características da região em que a UFPB se localiza e a realidade no que se refere ao exercício profissional na área das artes cênicas em geral e da dança em particular, norteiam a elaboração deste projeto. A Licenciatura estará alicerçada na formação artística em dança, regulamentada pela resolução CNE n.3, de março de 08 de março de 2004 somado ao estudo dos fundamentos sóciopolítico-pedagógicos que norteiam a formação pedagógica dos cursos de Licenciatura regidas pela Resolução CNE/CP 02/2002 e pela resolução nº 04/2004 do CONSEPE – UFPB. Pretende-se formar profissionais atentos às necessidades da dança na escola e às responsabilidades inerentes ao ofício do educador. Pois, como afirma a pedagoga Isabel Marques (2010, p. 53), “as trajetórias dos artistas não bastam por si sós para formar e educar intérpretes, coreógrafos, apreciadores, pesquisadores e público de dança – essa ideia transita entre ingenuidade e ação perigosa”. O contexto da dança na escola exige uma abordagem junto ao estudante de dança que o entenda como um cidadão em formação. E, nesse sentido, as formas convencionais de ensino de dança se mostram inadequadas. Isso porque, historicamente, o ensino de dança teve como referência as necessidades de formação do bailarino apto a atuar no espetáculo de balé, e apresenta um modelo de transmissão de conhecimento baseado na repetição de movimentos para o alcance de uma imagem ideal, através de uma hierarquia na qual o aluno tem pouco espaço para fazer suas escolhas e exercer sua criatividade (MARTINELLI, BARBATO e MITJÁNS, 2003). Muitos são os relatos que demonstram o quanto as aulas de dança se configuraram como um campo de disputa entre alunos e um momento de decréscimo de autoestima e desvalorização do próprio corpo (LAUNAY, 2003). Justamente o contrário do que se esperaria de um corpo que dança. O ensino da dança focado no controle do corpo (FOUCAULT), com muita facilidade, transforma o corpo em um oponente sobre o qual se deve dominar sua mecânica e sua imagem, e que não deve ser poupado para o alcance desse objetivo. As singularidades individuais, ao invés de compreendidas como potenciais criativos, são reprimidas para serem enquadradas em modelos préexistentes. As dores, ao invés de serem vistas como indicadores de que algo está errado, são tratadas como obstáculos que devem ser ignorados. Essa estrutura de ensino, construída para o ensino de balé, primeira expressão de dança no ocidente a se legitimar enquanto campo artístico, tornou-se a principal referência para o ensino formal de danças. Através dela, muitos dos que ensinam atualmente se formaram dançarinos e professores (MARTINELLI, BARBATO e MITJÁNS, 2003). Inconscientemente, trata-se de forma 10

natural procedimentos de ensino que repetem todo ou parte desse modelo, inclusive independente da dança que está sendo ensinada. Um problema com diversos tipos de repercussões, como explica a psicóloga Suselaine Martinelli (MARTINELLI; BARBATO e MITJÁNS, 2003, p. 05): Salientamos que, independente do estilo de dança adotado, precisamos estar conscientes que um ensino, entendido como desenvolvimento não apenas de conteúdos técnico-expressivos, mas também da personalidade dos educandos, tem sido desconsiderado em nosso sistema de dança. Tal fato, conforme analisado em nossas pesquisas, tem implicações diretas tanto para o desenvolvimento dos alunos quanto na qualidade de suas criações artísticas. Podemos afirmar que o entendimento do ensino da dança como espaço de formação do indivíduo de uma forma mais ampla está em concordância com o entendimento de dança apresentado na Base Nacional curricular Comum (2017): A Dança se constitui como prática artística pelo pensamento e sentimento do corpo, mediante a articulação dos processos cognitivos e das experiências sensíveis implicados no movimento dançado. Os processos de investigação e produção artística da dança centram-se naquilo que ocorre no e pelo corpo, discutindo e significando relações entre corporeidade e produção estética. Ao articular os aspectos sensíveis, epistemológicos e formais do movimento dançado ao seu próprio contexto, os alunos problematizam e transformam percepções acerca do corpo e da dança, por meio de arranjos que permitem novas visões de si e do mundo. Eles têm, assim, a oportunidade de repensar dualidades e binômios (corpo versus mente, popular versus erudito, teoria versus prática), em favor de um conjunto híbrido e dinâmico de práticas. (BRASIL, 2017. P. 193). Neste Curso de Licenciatura em Dança espera-se que o(a) aluno(a) desenvolva a prática de ensinar, vivenciando a experiência do fazer artístico, aprofundando-se nas especificidades de sua escolha. Também no sentido de propiciar reflexão sobre os contextos educacionais, a percepção das características da região em que a UFPB se localiza e a realidade no que se refere ao exercício profissional na área das artes cênicas em geral e da dança em particular, norteiam a elaboração deste projeto. OBJETIVOS Objetivo Geral: Proporcionar a formação profissional do(a)Professor(a) de Dança, através das práticas e os conteúdos específicos da dança, tornando-o apto a participar ativa e criativamente de processos artísticos e educacionais, e exercer com competência e ética os seus papéis, correspondendo ao mesmo tempo às exigências legais ao exercício da profissão. Objetivos Específicos:    

Oportunizar o conhecimento histórico e artístico da dança universal e brasileira, com ênfase na produção regional; Oportunizar o domínio dos princípios cinesiológicos relativos à performance corporal; Oportunizar o aprendizado dos conteúdos, metodologias e procedimentos criativos da dança educativa moderna e de danças populares; Contribuir para o desenvolvimento de uma postura crítico-reflexiva sobre o fazer artístico; 11

 

Enfatizar o estudo das teorias e processos do ensino da dança; Oportunizar a participação em todas as etapas da montagem e produção de espetáculos de dança em seus múltiplos aspectos.

PERFIL DO PROFISSIONAL EGRESSO Os egressos do Curso de Licenciatura em Dança estarão capacitados a atuar como professores de dança numa perspectiva interdisciplinar, plural e respeitosa à integridade física e psicológica dos seus alunos. Serão capazes de integrar teoria e prática a partir de uma reflexão ética e crítica do papel social e artístico das diversas práticas de dança. Ao haver experienciado teórica e praticamente os principais aspectos do processo artístico em dança, os egressos do Curso estarão qualificados a responder prontamente às exigências técnicas, metodológicas e estéticas da profissão. Ao aprofundar o conhecimento prático e teórico das danças populares, poderá atuar para o fortalecimento da cultura local e para superação de preconceitos e hierarquias historicamente construídas. O egresso deverá valorizar os contextos sócio-culturais de modo a estabelecer um processo pedagógico significativo para o aluno. Faz parte ainda do perfil, a compreensão da importância da busca por uma permanente atualização profissional, assim como da interferência criativa no mercado de trabalho, ao propor novas formas de atuação artística e docente. COMPETÊNCIAS, HABILIDADES E ATITUDES O aluno egresso do Curso de Licenciatura em Dança da UFPB, em consonância com a proposta para as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Dança, possuirá:  Domínio dos princípios cinesiológicos relativos à performance corporal;  Domínio da linguagem corporal relativo à interpretação coreográfica nos aspectos técnicos e criativos;  Competência para identificar, descrever, compreender, analisar e articular os elementos da composição coreográfica, sendo também capaz de exercer essas funções em conjunto com outros profissionais;  Qualificação para reconhecer e analisar estruturas metodológicas e domínios didáticos relativos ao ensino da Dança, adaptando-as à realidade de cada processo de reprodução do conhecimento, manifesto nos movimentos ordenados e expressivos;  Domínio das habilidades indispensáveis ao trabalho da Dança do portador de necessidades especiais, proporcionando a todos a prática e o exercício desta forma de arte como expressão da vida;  Domínio técnico-construtivo na composição dos elementos visuais da cena.  Capacidade de participar da criação do espetáculo, articulando códigos e convenções da linguagem cênica.  Capacidade de investigação, análise, crítica e discussão conceitual dos diversos elementos e processos estéticos da arte da dança.  Capacidade de articulação entre a prática da criação e a reflexão crítico-teórica, visando um questionamento dos próprios meios expressivos e especulativos, bem como dos procedimentos metodológicos empregados.  Capacidade de auto-aprendizado contínuo, pela confrontação crítica de propostas estéticas contemporâneas, as formulações teóricas decorrentes e o conhecimento adquirido.  Capacidade para o Ensino da Dança.

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CAMPOS DE ATUAÇÃO O campo de atuação do Licenciado é constituído pelas atividades de ensino formais e informais característicos do Ensino Fundamental e Médio desenvolvidos nas escolas das redes pública e particular de ensino, também podendo agir como educador em instâncias de ensino não formal, em projetos especiais de animação cultural, de cunho terapêutico ou social, ligados às atividades de ensino. O caráter obrigatório do Ensino de Artes instituído com a nova Lei de Diretrizes e Bases (LDB 9394/96) cria sólidas perspectivas de absorção dos formandos. O Licenciado em Dança também terá competências para atuar nas áreas de gestão pública para a arte, curadoria de eventos de dança, consultoria artística e pedagógica para grupos profissionais e amadores, bem como Organizações Não Governamentais que utilizam a arte como tecnologia de educação.

Procedimentos operacionais O Curso de Licenciatura em Dança é fundamentado na formação teórica e na prática artística em dança, com ofertas dos componentes pedagógicos e metodológicos que formarão o Professor de acordo com as Diretrizes Curriculares dos Cursos de Licenciatura 04/2004, a Resolução 07/2010, a Resolução 16/2015 ambos do CONSEPE e Resolução CNE/CES nº 3 de 8 de março de 2004. Os procedimentos que permitirão a operacionalização dos conteúdos programáticos são desdobrados em uma série de atividades que contemplam, desde o modelo tradicional da frequência e aprovação nos componentes curriculares, à participação em montagem com orientação dos professores e o aproveitamento de atividades artísticas, acadêmicas e culturais realizadas dentro e fora da universidade. O curso de Licenciatura em Dança foi pensado para integrar pesquisa e extensão de forma continuada às práticas de ensino e a flexibilizar a grade curricular para permitir maior mobilidade e autonomia ao estudante universitário. As atividades curriculares do Curso de Licenciatura em Dança se subdividem em componentes curriculares teóricos e teórico-práticos, que podem eventualmente ser oferecidas sob a forma de seminários, oficinas ou laboratórios, disciplinas, módulos e atividades acadêmicocientífico-culturais, tais como Monitorias, Projetos de Iniciação à Docência, Projetos de Iniciação à Pesquisa e Projetos de Extensão. Disciplinas: Objetivam a aprendizagem de diferentes conteúdos através de processos analíticos e pedagógicos, conduzidos pelo docente, com o objetivo de sistematizar conhecimentos básicos à formação do aluno. Módulos: Eventualmente os componentes curriculares podem ser oferecidos em módulos durante o período letivo de modo a propiciar uma vivência mais aprofundada dos conteúdos oferecidos. Conforme resolução CONSEE 16/2015 (p. 30), os módulos tem caracterização análoga a de disciplina, “com as seguintes ressalvas:

I – pode ter carga horária que não seja um múltiplo de 15 horas;

II – não requer carga horária semanal determinada;

III – pode formar turmas cuja duração não coincida integralmente com a do período letivo vigente, desde que não ultrapasse a data de término do período prevista no Calendário Acadêmico. Seminários: Privilegiam experiências fundamentalmente voltadas para a pesquisa e a socialização de conhecimentos, obtidos em processos de estudo, conduzidos sob orientação docente. 13

Oficinas: Fornecem espaços adequados ao exercício de atividades eminentemente práticas ou teóricopráticas, orientadas pelo docente, e destinadas à experimentação de conteúdos e técnicas de caráter específico nos diversos campos do saber. Laboratórios: Proporcionam espaços de pesquisa e de reflexão nos quais projetos individuais e de grupo podem ser testados e submetidos a processos de análise e reflexão continuada. Atividades acadêmico-científico-culturais: Compreendem todas as atividades que possam contribuir para a ampliação e o aprofundamento da experiência universitária quanto ao Ensino, Pesquisa e Extensão, através de participação em encontros científicos, acadêmicos ou artísticos, da realização de Projetos de Pesquisa, de Docência e de Extensão financiados ou não por bolsas de Iniciação à Pesquisa, de Iniciação à Docência e de Extensão, e quaisquer outras possibilidades de atuação discente academicamente válidas e reconhecidas por um sistema de créditos correspondente ao nível de envolvimento em questão. Sistema de Avaliação O Sistema de Avaliação implica a avaliação do processo de ensino e aprendizagem, a avaliação do próprio Projeto Pedagógico de Curso e a avaliação do curso, incluindo sua estrutura física, docentes e funcionários técnico-administrativos. Nessa perspectiva, a avaliação é parte integrante do processo de formação dos alunos e de institucionalização de um curso, uma vez que possibilita diagnosticar questões relevantes, aferir os resultados alcançados, considerando os objetivos propostos, para identificar mudanças de percurso, quando eventualmente necessárias. Considerando que o processo de formação deve garantir o desenvolvimento de competências e habilidades profissionais, e que isso não depende somente da aula dada, mas sim de uma articulação entre disciplinas ministradas e sala de aula, aluno, professor, estrutura organizacional e projeto pedagógico, a avaliação destina-se à análise da aprendizagem dos futuros Licenciados em Dança, favorecendo seu percurso e regulando as ações de sua formação. Porém, também está voltada para o constante processo de (re)estruturação do projeto pedagógico e do ambiente de ensino. Avaliação do Curso de Licenciatura em Dança Os métodos de avaliação de um curso, não podem estar voltados somente para o desempenho que o aluno venha a obter em exames específicos. Todo o contexto que cerca o aluno, e que de alguma forma se relaciona com o processo de ensino, também deve ser avaliado. Nesse sentido, o presente projeto pedagógico contempla outra dimensão do processo avaliativo. O sistema avaliativo está voltado também para os processos de ensino, do corpo docente, e da estrutura organizacional do curso, além do próprio projeto pedagógico. Avaliação do Projeto Pedagógico de Curso Continuadamente os processos de ensino e aprendizagem que se desenvolvem no ambiente de ensino devem ser acompanhados de forma relacionada à estrutura organizacional disponível. No entanto, todo esse trabalho não pode estar dissociado da constante estruturação e reestruturação do projeto pedagógico do curso. O processo de avaliação contínua permite verificar se o desenho curricular previsto no conjunto do Projeto Pedagógico está presente em cada semestre, sendo cumprido em sua plenitude. Este deve criar meios possíveis para que o aluno possa dialogar com sua área de formação, com o ambiente acadêmico, e com o mundo da cultura e do trabalho. É 14

fundamental a participação de representação discente nesses encontros, de forma a ser definida pelo próprio Colegiado do Curso. O projeto pedagógico do curso será avaliado anualmente pelo Núcleo Docente Estruturante e pelos demais professores, quando estes farão a adequação do curso às exigências do mercado de trabalho e do ambiente social, algo que se encontra em constante mutação, o que acabará por modificar igualmente o perfil do egresso. Dessa forma, procurar-se-á acompanhar a evolução das áreas dos conhecimentos pertinentes ao curso. O resultado do projeto pedagógico de curso pode ser medido ainda pelos índices de evasão e reprovação, desempenho dos egressos nos sistemas nacionais de avaliação da educação e por pesquisas de absorção no mercado de trabalho e aplicação dos conhecimentos adquiridos junto ao curso, por parte dos alunos. Avaliação do ambiente de ensino e aprendizagem É o instrumento que busca a valorização do ambiente de ensino e aprendizagem, espaço onde transitam alunos e docentes. O Projeto Pedagógico do curso deve sempre ser uma ferramenta de primeira mão, para qualquer forma de avaliação institucional que venha a se realizar, junto ao curso de Licenciatura em Dança. Considera-se fundamental a elaboração de um modelo permanente de avaliação a ser implementado entre os discentes e docentes e pelo qual os mesmos possam refletir sobre o funcionamento global do curso, avaliando quesitos como o espaço do ensino e suas condições de ensino-aprendizagem, o setor de bibliotecas, os serviços referentes a aspectos de atendimento ao aluno, assim como as disciplinas cursadas. É importante que esse instrumento seja concebido como

parte da rotina anual do curso e seja suficientemente amplo e responsável. Esse processo de avaliação deverá se realizar dentro dos seguintes parâmetros: - Elaboração de projetos para resolver problemas identificados num contexto observado; - Elaboração de uma rotina de trabalho semanal a partir de indicadores; - Definição de intervenções adequadas, alternativas as que forem consideradas inadequadas; - Planejamento de situações de práticas consoantes com um modelo teórico estudado A avaliação realizada com periodicidade regular fornece ao professor um retorno referente ao seu desempenho enquanto docente, de uma disciplina específica que se desenvolve junto à estrutura de um curso. Dessa maneira, o Núcleo Docente Estruturante pode avaliar a estrutura organizacional do ambiente de ensino e o seu funcionamento, de forma relacionada a disciplinas específicas. Os indicadores não podem ter como fonte, somente notas obtidas em sala de aula, que não são mais do que uma amostragem parcial da realidade dos alunos. Nesse sentido, o NDE deverá desenvolver metodologias de cunho qualitativo, no sentido de avaliar os processos de ensino e de que forma a didática das aulas ministradas, está integrada à estrutura organizacional disponível. A metodologia utilizada junto ao Curso de Dança – Licenciatura terá caráter processual, idealizada e discutida pelo NDE e pelo Colegiado do Curso, e será institucionalizada, na medida em que avancem em número, os alunos, as turmas, os semestres e os espaços para ensino. Será estimulado um processo de avaliação docente. Em períodos regulares, de seis meses, o docente deve realizar auto-avaliações, baseadas no retorno apresentado pelos discentes. Este trabalho pode ser realizado a partir de memoriais e reunião com os demais membros do colegiado, como forma de socializar experiências. O processo de avaliação permite ao professor identificar pontos a serem trabalhados em seu planejamento e prática pedagógica. Também pode nortear ações administrativas, além de didáticas, instituídas por instâncias superiores. Elementos para concretização do processo de ensino aprendizagem Em sintonia com as transformações do Ensino da Arte, provenientes da compreensão de que o professor de arte deve ser capaz de articular produção, apreciação e contextualização, o curso de 15

licenciatura em dança propõe uma estrutura curricular que contempla a formação artística, no que diz respeito à compreensão teórico-prática dos elementos que constituem a prática da dança, com ênfase aos princípios da Dança Criativa e das Danças Populares Brasileiras; a formação humanística e reflexiva sobre o campo da arte, da educação e da cultura, com atenção às questões e expressões regionais e locais e a História da Dança no ocidente, em disciplinas que abordam a História de forma contextual e crítica; a compreensão do funcionamento do corpo humano, com vistas a um exercício profissional respeitoso aos limites osteomioarticulares e as diferentes fases do desenvolvimento humano; a apreensão de procedimentos criativos, investigativos e composicionais necessários para a prática artística e educacional; a apreensão de ferramentas metodológicas para pesquisa, problematização e sistematização do conhecimento e a formação pedagógica de profissionais para atuarem em programas de ensino, comprometidos com a investigação, a produção e a aplicação do saber artístico e técnico-científico, bem como trabalharem com portadores de necessidades especiais. A Licenciatura em Dança da UFPB dá ênfase à Dança Criativa e, portanto, não tem como objetivo formar em estilos de dança e sim prover o professor de instrumental técnico e criativo para que seja capaz de transmitir e implementar procedimentos de criação e leitura de movimento, capazes de proporcionar a efetivação da dança como atividade lúdica e artística. Esse instrumental técnico é desenvolvido durante todo o curso em disciplinas que se desdobram em práticas de criação coreográfica e composição de obras artísticas. A sub-área Danças Populares no Curso de Dança da UFPB têm como objetivo munir o estudante de dança de conhecimentos práticos sobre danças e folguedos brasileiros, principalmente os praticados na Paraíba para que sejam utilizados como conteúdo no ensino formal. Dessa forma, é preciso que as danças populares sejam compreendidas como constituintes de expressões artísticas singulares que acontecem em contextos sociais que precisam ser compreendidos e vivenciados de forma ampla e sem preconceitos. Faz-se necessário o conhecimentos das matrizes étnicas que as constituem corporal e filosoficamente, assim como sua inserção nos ciclos de festividades anuais. Num segundo momento, é preciso que haja uma aproximação em maior profundidade com algumas danças e folguedos para que sejam apreendidos enquanto expressão artística, englobando suas dinâmicas, corporalidades, musicalidade, vocabulário e forma de organização espetacular e história. Nesse momento deve-se problematizar o ensino dessas danças, pensando nas formas de transmissão, nos usos prováveis em diferentes contextos de ensino formal e nas questões éticas que incluem o tratamento não folclórico e a quebra de preconceitos que envolvem muitas danças populares. O terceiro momento das danças populares é destinado à investigação criativa dos potenciais simbólicos, corporais e estéticos a partir de danças e folguedos populares. Esse momento pode trabalhar com memória corporal e/ou com desconstrução de movimentos. Sugere-se que haja momentos para apreciação de obras artísticas e discussão sobre a história da criação artística a partir de matrizes populares e regionais. Esses campos de conhecimento são considerados inseparáveis da prática do professor de dança e devem ser integrados através de práticas interdisciplinares, desenvolvidas no âmbito das disciplinas e nas atividades realizadas pelo departamento de Artes Cênicas, como Jornadas de pesquisa, projetos de pesquisa e extensão, semana cênica, grupos de estudo e pesquisa, Laboratórios, etc... A estrutura curricular é flexibilizada pela redução dos pré-requisitos que permite evitar retenção prolongada dos alunos e pelas 360 horas de disciplinas optativas de dança que podem direcionar o aprofundamento em eixos ou temas de interesse do aluno. De forma a orientar o estudante na escolha das disciplinas optativas, as mesmas foram divididas em três eixos: Eixo I Técnicas e práticas artísticas, Eixo II -Teoria e História das Artes, Eixo III – Conteúdos complementares para produção artística. Os estudantes poderão escolher aprofundar em um único eixo ou combinar suas escolhas da forma que lhes parecer mais proveitosa diante das ofertas semestrais. Essa liberdade deve-se a compreensão de que os conhecimentos básicos e complementares oferecidos pelo Curso garantem formação teórica, teórico-prática e formação artística e educacional. 16

Projeto Coreográfico / Atividades Complementares Componente curricular obrigatório Projeto Coreográfico consiste na prática de criação artística em dança, que resultará em produto artístico, a partir das informações práticas, técnicas e teóricas oferecidas durante o curso. A mesma deverá ser desenvolvida em grupo. Os grupos receberão orientação do professor responsável pela disciplina, podendo também haver colaboração de outros professores da UFPB. A apresentação pública dos trabalhos deve contemplar no mínimo temporada de seis apresentações, com o objetivo de fazer os alunos refletirem sobre a criação e manutenção de trabalho artístico. Essa vivência é considerada fundamental para o professor de dança, para reflexão do fazer artístico, mas principalmente para capacitá-lo a implementar na sua vida profissional, o diálogo entre teoria e prática, o trabalho coletivo e a criação em colaboração. Para o efetivo aproveitamento desse componente se faz necessário que o aluno se envolva em todos os processos de pré-produção, produção e pós-produção do espetáculo. Essas etapas serão assumidas pelos discentes e contarão como Atividades Complementares. Os alunos serão orientado pelo professor responsável pelo componente curricular. Ao final da pós-produção cada aluno deverá apresentar relatório de atividades para o professor orientador e abrir um processo encaminhado para a coordenação do curso com o referido relatório solicitando dispensa dos créditos das Atividades Complementares. Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do Curso de Licenciatura em Dança será uma monografia elaborada e defendida individualmente por cada estudante do Curso, podendo ser acompanhada ou não de demonstração de trabalho prático. Os trabalhos práticos devem ser construídos a partir de uma questão teórica apresentada e discutida na monografia. O TCC é uma disciplina obrigatória que tem como objetivo oferecer ao aluno a oportunidade de elaborar um trabalho próprio, portanto deverá ser elaborado individualmente. O mesmo deverá ser elaborado em dois semestres, nas atividades de orientação individual Trabalho de Conclusão de Curso I (VII período) e Trabalho de Conclusão de Curso II (VIII período) de acordo com as especificações da Resolução 03/2013 do Colegiado do Curso de licenciatura em Dança. Estágio Curricular Supervisionado O estágio curricular supervisionado configura-se como um espaço formativo e de preparação dos estudantes para o atendimento das necessidades humanas e sociais, preservando os valores éticos em todos os níveis de escolaridade e buscando a compreensão da realidade profissional à luz dos aportes teóricos e práticos estudados e experienciados durante o curso. Visa favorecer a reflexão sobre a realidade, a aquisição da autonomia intelectual e o desenvolvimento de habilidades relativas à profissão docente. Trata-se, portanto, de um componente curricular de caráter teórico-prático, cuja especificidade é proporcionar o contato efetivo do aluno com a prática de Ensino, na qual o estudante poderá passar por experiências em gestão, organização, planejamento, intervenção pedagógica, pesquisa e exercício da docência. A prática pedagógica deve ser compreendida como expressão articulada da teoria com a realidade sócio-educacional, visando dinamizar os aspectos conceituais e a intervenção pedagógica no mundo real. No caso do Curso de Licenciatura em Dança do Departamento de Artes Cênicas da Universidade Federal da Paraíba, essa dimensão deve estar presente nos componentes curriculares, 17

articulada com os conteúdos da cultura corporal e com a prática pedagógica da Dança na escola (Educação Infantil, e Ensinos Fundamental e Médio) e também em espaços não formais. O estágio supervisionado é um componente curricular obrigatório indispensável à consolidação dos desempenhos profissionais desejados, inerentes ao perfil do formando, conforme resolução 02/2014 do Colegiado do Curso de Licenciatura em Dança que regulamenta o estágio e conforme orientação das Diretrizes Curriculares Nacionais. Os estágios curriculares cumprem com a carga horária especificada pela Resolução CNE/CP 2/2002, de 19 de fevereiro de 2002, fundamentada no Parecer CNE/CP 28/2001, homologado em 17/01/2002: 400 horas de estágio curricular supervisionado a partir do início da segunda metade do curso. No fluxograma curricular pode-se observar a descrição dos três estágios obrigatórios e suas respectivas cargas-horárias. Conforme as ementas dos Estágios, já há a indicação do nível onde os estágios deverão ser realizados. O projeto prevê que as atividades de extensão e monitoria relacionadas ao ensino da dança, poderão ser equiparadas ao estágio obrigatório e, portanto, deverão ser contempladas na regulamentação deste. Esta decisão está em conformidade com a lei nº 11.788/2008, Art. 2 º, § 3 º: “As atividades de extensão, de monitorias e de iniciação científica na educação superior, desenvolvidas pelo estudante, somente poderão ser equiparadas ao estágio em caso de previsão no projeto pedagógico do curso”. De acordo com a maioria dos cursos de Licenciatura em Dança, concentramos as horas obrigatórias para os estágios em três semestres, totalizando no presente PPC, 405 horas de Estágios Supervisionados Obrigatórios.

18

ANEXO II à Resolução nº 37/2018 do CONSEPE, que aprova o Projeto Pedagógico do Curso de Dança, modalidade Licenciatura, do Centro de Comunicação, Turismo e Artes/CCTA, do Campus I da UFPB. - COMPOSIÇÃO CURRICULAR –

1. Conteúdos básicos profissionais 1.1. Conteúdos Básicos Anatomia e fisiologia para a dança Arte e sociedade

CH 2055 480 60 60

CR 137 32 04 04

Cinesiologia para a Dança

60

04

Evolução da Dança Cênica Experiências sonoras criativas Modernidade na dança brasileira e paraibana Técnica Básica do Movimento Teoria do Movimento Corporal 1.2. Conteúdos Profissionais Coreografia e Dramaturgia da Dança

60 60 60 60 60 810 60

04 04 04 04 04 54 04

Corpo e Movimento I

60

04

Corpo e Movimento II

60

04

Criação em Dança na Escola Danças populares: Matrizes Étnicas e Corporalidades

60

04

60

04

Danças Populares – Elementos técnicos e potencialidade criativa

60

04

Danças populares – investigações criativas e pedagógicas

60

04

Elementos da Dança contemporânea Processos de criação coreográfica

60 60

04 04

Projeto Coreográfico

150

10

Técnicas de Improvisação Técnicas somáticas 1.3. Conteúdos de Formação Pedagógica Didática Fundamentos antropo-filosoficos da educação Fundamentos psicologicos da educação Fundamentos socio – históricos da educação Política e gestão da educação Metodologia do Ensino da Dança 1.4. Estágio Supervisionado Estagio Supervisionado I Dança

60 60 36 60 60 60 60 60 60 405 150

04 04 24 04 04 04 04 04 04 27 10

19

PRÉ-REQUISITOS ---Anatomia e fisiologia para a Dança ------Técnica básica do movimento Técnica básica do movimento --Danças populares: Matrizes Étnicas e Corporalidades Danças populares: Matrizes Étnicas e Corporalidades --Coreografia e Dramaturgia da Dança --------Metodologia do

Ensino da Dança e Didática Metodologia do Ensino da Dança e Didática Metodologia do Ensino da Dança e Didática

Estagio Supervisionado II Dança

150

10

Estagio Supervisionado III Dança

105

07

1155

77

  

2. Conteúdos complementares de Aprofundamento 2.1. Conteúdos complementares obrigatórios Jogos Corporais Libras - A Língua Brasileira de Sinais Metodologia do trabalho científico

540 60 60 60

36 04 04 04

Pesquisa aplicada às Artes Cênicas

60

04

Trabalho de Conclusão de Curso I Dança (TCC I)

90

06

Trabalho de Conclusão de Curso II Dança (TCC 90 06 TCC I

II) 60 04 -Tradições Brasileiras Voz e movimento em dança 60 04 -2.2. Conteúdos complementares optativos 240 16 O aluno deverá integralizar o mínimo de 120 horas dentre as disciplinas abaixo relacionadas. A Voz do Ator-Personagem Experiências Sonoras 60 04 Criativas A Voz no Corpo do Ator Experiências Sonoras 60 04 Criativas Brinquedos e Brincadeiras populares 60 04 -Contação de Histórias 60 04 -Coreografia e Dramaturgia da Dança II Coreografia e 60 04 Dramaturgia da Dança Corpos, movimentos e Diferenças 60 04 -Crítica e dança 60 04 -Dança e Filosofia 60 04 -Dança e Pesquisa Artística 60 04 -Dança e tecnologia 60 04 -Danças Populares e Educação 60 04 -Dramaturgia 30 02 -Estudos Avançados em Dança 60 04 -Estudos da Performance 60 04 -Estudos do espaço cênico 60 04 -Estudos Teóricos em Dança 60 04 -Exercício de Encenação 60 04 -Experimentos Cênicos 60 04 -Fundamentos da Direção Teatral 60 04 -História do Teatro Brasileiro 60 04 -Improvisação 90 06 -Laboratórios Práticos de História da Dança 60 04 -20

---Metodologia do Trabalho Científico Pesquisa aplicada às Artes Cênicas

Movimento corporal e cultura O drama burguês e o teatro do séculoXIX Oficina Audiovisual – Ator e Câmera Oficina Audiovisual – Diretor e Câmera Oficina de Figurino Oficina de Maquiagem Oficina de Sonoplastia O século XX e as bases para o teatro contemporâneo Práticas de criação Práticas de ensino Prática de Interpretação de Origem Popular Prática de Interpretação Sobre Elementos do Sistema Stanislavski Prática de Interpretação para o Teatro Épico Prática de Interpretação Pós-Realista Práticas de saúde corporal Práticas Performativas Educativas Preparação Corporal e Prática Educativa Produção e gestão cultural Projeto Cenográfico Teatro Antigo, Medieval e Renascentista Teatro na Educação Técnica de Capoeira Técnicas Acrobáticas Técnicas Circenses Videodança

60 60 60 60 60 30 30

04 04 04 04 04 02 02

--------

60

04

--

60 60 90

04 04 06

----

90

06

--

90 90 60 60 60 60 60 60 60 60 60 60 60

06 06 04 04 04 04 04 04 04 04 04 04 04

--------------

Conteúdos Complementares Optativos de Formação Pedagógica - o aluno deverá integralizar o mínimo de 120 horas dentre os 03 Eixos Temáticos abaixo especificados. Eixo Temático I - Pressupostos Antropofilosóficos, Sócio-históricos e Psicológicos Antropologia da Educação Economia da Educação Fundamentos Biológicos da Educação Fundamentos da Administração da Educação Educação Sexual Eixo Temático II - Pressupostos Sociopolíticos e Pedagógicos Currículo e Trabalho Pedagógico Educação e Inclusão Social Pesquisa e Cotidiano Escolar Planejamento e Gestão Escolar Eixo Temático III - Pressupostos Didaticometodológicos e Sócioeducativos Alfabetização de Jovens e Adultos: Processos e Métodos Avaliação da Aprendizagem Educação e Movimentos Sociais Introdução aos Recursos Audiovisuais em 21

45 60 60 60 45

03 04 04 04 03

------

60 45 60 60

04 03 04 04

-----

60

04

--

60 60 45

04 04 03

----

Educação Seminários de problemas atuais em Educação Seminário de Educação Ambiental

3. Conteúdos Complementares Flexíveis Tópicos especiais em Dança Atividades Complementares

22

60 45

04 03

375

25

210 165

14 11

---

---

ANEXO III à Resolução nº 37/2018 do CONSEPE, que aprova o Projeto Pedagógico do Curso de Dança, modalidade Licenciatura, do Centro de Comunicação, Turismo e Artes/CCTA, do Campus I da UFPB.

1º Período

H/ A

2º Período

H/ A

Técnica Básica do Movimento

60

Corpo e 60 Movimento I

Arte e sociedade

60

Teoria do Movimento Corporal

60

Técnicas somáticas

60

Anatomia e Fisiologia para Dança

60

Experiências Técnicas de 60 Sonoras 60 Improvisação Criativas

Metodologia do Trabalho 60 Científico

Tradições Brasileiras

60

FLUXOGRAMA - CURSO DE LICENCIATURA EM DANÇA H/ H/ H/ H/ H/ H/ 3º Período 4º Período 5º Período 6º Período 7º Período 8º Período A A A A A A Elementos da Corpo e Processos de Coreografia e dança 60 Projeto Movimento 60 Criação 60 Dramaturgia 60 150 -contemporân coreográfico

II Coreográfica da dança ea Modernidade Evolução da na Dança Optativa de Optativa de Dança 60 60 60 60 --Brasileira e Dança I Dança II Cênica Paraibana Danças Danças Populares – Voz e populares – Cinesiologia Elementos movimento 60 60 investigações 60 60 --para Dança técnicos e em dança criativas e potencialidad pedagógicas e criativa Danças populares: Criação em

II Estágio Estágio Matrizes Dança na Estágio Didática 150 Supervisiona 150 Supervisiona 105 Étnicas e 60 60 Escola 60 Supervisiona do II Dança do III Dança Corporalidad do I Dança es Trabalho de Trabalho de Pesquisa Jogos Conclusão de Conclusão de Aplicada às 60 Libras 60 Corporais 60 -Curso I 90 Curso II 90 Artes Dança (TCC Dança (TCC Cênicas

I)

II)

Fundamentos Fundamentos Fundamentos Metodologia SócioAntropo60 60 Psicológicos 60 do Ensino da 60 Históricos da Filosóficos da Educação Dança Educação da Educação 24 cr / 360 h

24 cr / 360 h

24 cr / 360 h

24 cr / 360 h

Política e Gestão da Educação

Prática Curricular Pedagógica 60 60 Optativa (Eixo Temático II)

--

24 cr / 360 h

26 cr / 390 h

26 cr / 390 h

Conteúdos Complementares Flexíveis 375 h/ 25 cr – desenvolvidos ao longo do curso Integralização curricular: 3210 horas-aula (214 créditos) Duração mínima do Curso: 08 períodos letivos / Duração máxima do Curso: 12 períodos letivos

24

-

Prática Curricular Pedagógica 60 Optativa (Eixo Temático III) 17 cr/ 255 h